Concurso SESC Mogi das Cruzes, 2025

Concursos SESC de Arquitetura, em parceria com Colectivo C733

O novo SESC Mogi das Cruzes busca ser uma celebração pública da natureza. Através de seus espaços abertos, como se fossem uma extensão habitável da ampla paisagem ao redor, nossa proposta valoriza os fluxos das águas e a biodiversidade. Entende seu lugar como conexão com a Serra do Itapeti, com o Rio Tietê e seus meandros, e a proximidade do parque Centenário. A construção é menos objeto e mais paisagem, geografia. Jardins, praças e percursos articulam as zonas de convivência, ao mesmo tempo que promovem uma relação mais saudável e controlada do terreno com a cidade.

A arquitetura pisa suavemente a terra. O edifício serve tanto aos espaços externos quanto ao programa interno. Protege da incidência solar (aproveitando sua energia e luz indireta do sul), capta a água para purificá-la e permite a ventilação natural cruzada.

Barro, água, madeira e vegetação se articulam de maneira sofisticada e contemporânea, buscando enaltecer as virtudes do lugar onde nasce o projeto, seu clima e seu conhecimento local, aliados ao domínio atual da técnica.

A estrutura de madeira laminada é composta por elementos simples de alma aberta, que, em conjunto e graças à sua disposição geométrica, tornam-se extremamente estáveis. A terra é manipulada e esculpida para criar percursos d’água, arquibancadas, contenções, áreas de jogos e espaços de lazer. Uma série de “peles” com diferentes porosidades (painéis, cobogós, brises e telas) regulam as vistas e a passagem do vento.

O edifício convida a uma imersão que vai do espaço urbano e público ao natural e íntimo. Responde rigorosamente às diferentes exigências de escala e dimensão programática, criando uma dupla fuga e um jogo de perspectivas. Em planta, as longas fachadas que funcionam como suporte infra-estrutural habitado são convergentes, construindo um paralelismo com as ruas laterais , permitindo fluidez e flexibilidade aos usos externos; na seção longitudinal, cada módulo tem sua altura gradualmente reduzida até alcançar um oásis vegetal, como uma nave que aterra.

Desde a cidade, o volume do Teatro, mais alto, se abre e convida ao ingresso. O Centro de Educação Ambiental, com menor altura, se dissolve no humedal.

Os diferentes espaços se agrupam conforme sua vocação, graças à organização dos percursos e a uma sutil manipulação dos níveis, tornando sua operação mais eficiente. Busca-se a precisão de uma fábrica, mas para aprimorar o encontro entre as pessoas, gerir a água e divulgar a necessidade urgente de proteger nossos recursos naturais.

 

 

local mogi das cruzes, sp

projeto 2025

arquitetura fernando viégas, cristiane muniz, israel espín, josé amozurrutia, gabriela carrillo, eric valdez, carlos facio gaxiola (UNA MUNIZVIEGAS + Colectivo C733)

colaboradores joaquin gak, leonardo sarabanda, ana luiza correa, luisa martins, antônio muniz viegas, sabrine klitzke, katia castilho, kevin diaz, paula reis, fernando rodriguez, eduardo suárez, gersaín aquino, pedro domingues, carolina andrade, joyce meneses

 

consultor de desenho estrutural LABG (méxico)

consultor de estratégia de água riparia (méxico)