Sede do CREA-SP, 2024

3º Lugar em Concurso público 2024

 

A nova sede unificada para o CREA-SP deve revelar o compromisso da engenharia e agronomia com as disciplinas envolvidas na construção de espaços urbanos contemporâneos exemplares. O edifício criado, a partir de sua implantação, sua ocupação de praça e jardins que contribuem para uma cidade mais permeável, reforçando a imagem da instituição.
Dois blocos longitudinalmente, interligados por uma passarela com cobertura opacional leve retrátil, configuram um espaço central com iluminação zenital e ventilação natural e definem uma praça de acesso no térreo, que se abre como um grande vão de encontro a calçada. Cada peça, além da função, tem também sua autoria arquitetônica, não só técnica e reduzida.
A madeira laminada colada assume protagonismo simbólico, representando o futuro da construção industrializada. O volume frontal plastificado de 7 metros de comprimento abriga as áreas de trabalho em ambiente máximo, uma planta livre e flexível para as estações, feixes de iluminação natural penetram até a varanda, está perfeitamente voltada ao sul, evitando incidência solar direta e garantindo eficiência térmica. As empenas do leste e oeste acompanham varandas generosas que protegem as áreas de trabalho da insolação e criam espaços de descompressão, molduras entre exterior e interior. As salas de reunião se abrem para o interior iluminado. A proporção dessa peça interna é alçada ampliada à presença da instituição na cidade, com entradas abertas ao pedestre. A estrutura de concreto abriga uma laje central de planta oblíqua, servindo como prumada de instalações, acentuando a leveza da construção através do cálculo de engenharia estrutural. O edifício se volta para o verde, em contraponto, abriga uma torre compacta vertical, os sanitários se encontram no vão entre as empenas. Função e forma são unificadas por painéis fixos de vidro e de painéis perfurados de concreto na materialidade vernacular proveniente de demolições, aliando reuso de matéria e energia incorporadas com a linguagem moderna da nova arquitetura brasileira. Os ambientes internos possuem uma modulação permanente que possibilita alterações e adaptações às mudanças lógicas de uso.
A implantação da praça no recuo frontal que conecta os dois blocos se alinha ao entorno imediato e se destaca com fachadas livres e sombreamento eficiente com árvores nativas. O edifício pelo desenho de seu térreo se conecta com uma gentileza urbana. Os recuos laterais e fundos abrigam áreas verdes e vagas técnicas e de acessibilidade, com acesso à carga e descarga e demais áreas administrativas e construtivas.
Na medida em que a nova sede do CREA unifica as entidades, câmaras profissionais e técnicas em um mesmo edifício, torna-se um novo centro de decisão com uma topografia acessível, propõe-se um edifício aberto que revela a cultura urbana do espaço. O projeto tem clareza de sua função pública e busca refletir as intenções de seu ente público, possibilita encontros e a articulação entre os diferentes saberes.
As vagas de veículos são mantidas no subsolo. Tanto o espaço de pedestres quanto os carros se conectam diretamente com os espaços públicos do térreo. A alameda de acesso conecta a praça frontal ao térreo com as áreas comuns, os órgãos plenários. Permite-se assim uma institucionalidade que se revela para a cidade, sem se isolar dela.
O edifício é exemplo de uma construção que expressa sua materialidade e sua concepção estrutural de forma clara e sensível, revelando os compromissos do CREA-SP com o futuro da cidade de São Paulo entendendo as questões contemporâneas que definem na arquitetura de sua nova sede. Os sistemas construtivos e materiais empregados visam eficiência e economia a partir da precisão técnica de cada um, garantindo sustentabilidade ao conjunto.

Área construída 22596,86 m²

Área computável 5410,24 m²

Área do terreno 5500,00 m²

 

Arquitetura UNA MUNIZVIEGAS cristiane muniz e fernando viégas (autores)

Colaboradores ana luiza corrêa, antonio viégas, joaquin gak, leonardo sarabanda, paula reis, sabrine klitzke

Consultores heloisa maringoni (estrutura), liziane lorenzini (orçamentos)