CASA ITUPEVA, 2021

As visitas ao sítio suscitaram o desejo de construir uma casa que nascesse da paisagem. Encontramos no terreno, que é protegido pela vegetação densa, grandes pedras que afloravam na inclinação acentuada da porção sul. Há ainda um lago, próximo, que é acessado por uma pequena trilha na mata.

A estratégia pensada para a organização da casa levou em conta a dinâmica da família: a casa foi feita para um simpático casal beirando os 80 anos, com 5 filhos, que por sua vez, tem suas famílias com parceiros, parceiras e netos.

O programa extenso se divide em um pavilhão térreo horizontal para o casal de moradores, com estrutura de madeira laminada colada, associado a um conjunto de dormitórios para o filho e as filhas, encaixado na topografia no piso inferior em estrutura de concreto, desenhando o embasamento como um dos matacões. A piscina se acomoda nessa nova pedra, uma grande poça d’água, refletindo a mata à frente e completando a nova configuração da paisagem. Assim, imaginamos essa casa: madeira, concreto, água.

Como se fosse morada e também pousada, a construção abriga o uso cotidiano da vida dos moradores independentemente dos momentos em que a casa está repleta de gente. Os usos com certa reclusão não excluem os vários locais de encontro, tão desejados por todos. A escolha dos materiais enfatiza essa dualidade: uma casa leve e transparente no alto, outra contida e maciça abaixo. Cada etapa da obra resulta íntegra e evidencia os processos construtivos.

A entrada principal, como um alpendre, na parte elevada a noroeste, permitiu a casa térrea no alto, garantindo vistas amplas.

Os maiores espaços são áreas externas cobertas associadas a terraços, jardins e à própria piscina. O clima da região é propício ao estar prolongado nesses ambientes, desde que protegidos de sol e chuva. A maior parte da cobertura de madeira são varandas e beirais. Ela é duplicada nos ambientes internos para permitir um colchão de ar, garantindo eficiência térmica e redução no uso de condicionamento artificial. Funciona como uma máquina de captação de água da chuva e permite a redução de temperatura interna: a dupla cobertura pode diminuir em quase 10 graus a temperatura interna.

A sensação é de vastidão, onde árvores, pedras e água, em conversa com a nova construção, são personagens posicionados com precisão para habitar esse mesmo lugar. Durante a obra as grandes pedras foram afastadas, porém, mantidas presentes no local. Ao final dos trabalhos de construção foram trazidas de volta, reposicionadas. Algumas delas foram cortadas, aproveitadas e utilizadas como pisos externos.

Uma casa de matéria mineral e vegetal.

 

“Quando as aves falam com as pedras e as rãs com as águas – é de poesia que estão falando”. Manoel de Barros, em Poesia Completa, editora Leya, 2011

 

local  fazenda da grama, itupeva, sp

projeto 2021

obra 2025

autores  cristiane muniz e fernando viégas

colaboradores  joaquin gak, ana luiza correa, antonio viegas, larissa urbano, leonardo sarabanda,
manuela raitelli, matheus pardal, paula reis, thiago zati

estrutura de madeira ita construtora

estrutura de concreto stec

iluminação lux projetos

interiores vania chene

paisagismo gabriella ornaghi e bianca vasone

instalações JPD

ar condicionado reclima refrigeração e climatização

impermeabilização proassp

construção f2 engenharia

maquete marcelo jun

drone rodrigo fonseca

ensaio fotográfico pedro kok